quarta-feira, 25 de maio de 2011

"você estuda Audiovisual, né?"

...
taí uma coisa que me faz perder a paciência: discussões na internet


isso só será saudável, pra mim, quando as pessoas deixarem de ser maniqueístas e passarem a lamber menos o próprio rabo. mas até lá, vou abrindo algumas exceções e despejando minha ira mortal contra aqueles que insistem em lamber o rabo quando este está completamente sujo de merda. 

"mas por que esse ódio mortal contra a humanidade, barbudean?", deve se perguntar o leitor (imaginário) desse post. SIMPLES. vamos pegar um exemplo recente e bem elucidativo: escolha um diretor de cinema desses do tipo "ame ou odeie" (David Lynch, Lars Von Trier ou Glauber Rocha - motivo desse post) e tente "defendê-lo" em uma rede social. nesses espaços de discussão cibernéticos (tuinter, filmow, facebook...) onde ninguém conhece ninguém e todos se autopromovem como se fizessem sexo de 0 a 3 vezes por ano, a probabilidade de te chamarem de pseudocult, pseudorevolucionário, pseudolibertário, pseudoengajado, esquerdo-direitista, marxista fajuto, pedante, pretensioso ou qualquer palavrinha que diga "ei, Che Guevara, você não passa de um chato que se acha intelectualmente superior a mim só porque não curto suas parada cult porra-louca" é muito grande. vá tentar defender o Trier hoje... vá tentar concordar com as críticas do Pablo Villaça (nesse último caso, concordar com as críticas ou posicionamentos dele fazem de você um verdadeiro coxinha virtual)... vá tentar defender o aborto... vá tentar defender a descriminalização da maconha... vá querer dar o rabo (ou amar, dá no mesmo, né?). usar da Santa Imaculada Liberdade De Expressão pra vomitar preconceitos e asneiras virou moda, virou viral. 

todo mundo é melhor que todo mundo, “eu estou certo & você está errado”, “minha verdade é mais absoluta que a tua”, “e a moral e os bons costumes?”. my ass. my ass. my ass! acho isso um porre. daí bate uma vibe bukowskiana e perco total minha fé no ser humano. dá vontade de bancar o niilista, acender um cigarro, abrir uma cerveja e... e aí já viu. 

“mas tudo isso POR QUE, moron? chega de blá-blá-blá e seja mais especifico”, insiste você, meu íntimo, belo & adorável leitor imaginário. 

okay. tudo isso porque, ao defender o Glauber Rocha, me perguntaram se eu era estudante de audiovisual. como se deduzissem: “opa, mais um babaca que se impressiona e aceita do professor-acadêmico-que-fuma-um-baseado-e-é-descolado a VERDADE ABSOLUTA de que o cara é um gênio”. 

mas comecemos do começo. sobre Deus e o Diabo, o ser humano disse: 

“nunca vi nada tão ridículo... É uma vergonha nacional... Retrocesso do cinema brasileiro... É o amadorismo em sua forma absoluta... com direito a facadas no vento, câmera na mão que treme mais que mau de parkison, zoom, e tudo mais... haha... Pra não falar da história que não tem nada com nada né... Aliás isso não é uma história... Na verdade eu só vi um amontoado de acontecimentos sem o menor sentido... hehe” 

respondi a isso com o maior sarcasmo (babaca, in fact) que pensei na hora: “pena de morte pra pessoas com pretensões como a sua? defendo". “pena de morte pra quem não respeita a opinião dos outros, aí sim”, rebateu o fulano. foi aí que percebi: seria eu um pedante? não, concluí.

fui tentar, em vão, defender o Glauber como puro apreciador da sétima arte: 

“o que mais vejo nas críticas negativas sobre Deus e o Diabo é um certo conservadorismo cego e petrificado sobre linguagem cinematográfica - que, inclusive, vem travestido de um conhecimento fino/requintado sobre cinema. pra esses palermas: MY ASS. nessa ótica burra, reducionista e teimosa, eu poderia, portanto, dizer que Um Cão Andaluz, do Buñuel (ou qualquer outra obra-de-arte experimental), é um filme bizarro e sem sentido. subverter linguagens, regras e maneirismos (e o Glauber fez isso em Deus e o Diabo) é perfeitamente válido quando falamos de arte. já imaginou a merda que seria se todos aceitassem aquilo que lhes é imposto como ideal e vivessem disso pra sempre? mermão, que visão idiota. acorda! e outra coisa, Glauber, no seu Cinema Novo, levantou questões maiores que a simples estética e a forma de fazer cinema que aprendeu com o movimento Nouvelle Vague. questões político-sociais importantíssimas e ESSENCIAIS que não vou nem discutir aqui... foram abordadas nesse filme (e em outros, certamente). chamar isso tudo de RETROCESSO? cabra, RETROCESSO MY ASS! Deus e O Diabo é avanço, é história, é ruptura, é cinema em sua essência. não é porque ele é feio aos seus olhos (ofuscados) e grosseiro aos seus ouvidos que você pode chamá-lo de retrocesso e sem sentido. é a sua opinião, mas eu não a respeito nem com o caralho!” 


o mais revoltante é que, como postei em 2 espaços de discussão virtual dia desses: 1) não sou estudante de audiovisual (nada contra - curto, na verdade); 2) não quero dizer, com isso tudo, que sou melhor que ninguém (not at all, my friend, i'm a fucked-up); 3) não acho o Glauber Rocha um gênio/deus (até porque só vi Deus e o Diabo, dele); e 4) também não sou nenhum pseudocult que gosta de filmes herméticos (opa, gosto de filmes herméticos sim). 


conclusão de toda essa revolta: talvez eu seja um pseudocult barbudo, pedante pra caralho, precisando de uns bons tapa de realidade na cara. /quéque6achao


...

Nenhum comentário:

Postar um comentário